sábado, 3 de outubro de 2009

- - Lei do Silêncio –

Uma lei que deveria existir para conter os vizinhos lindinhos




Cheguei aos meus 60 anos com a reconfortante noção da existência da famosa lei do silêncio. Pouco tempo atrás tomei conhecimento da inexistência desta lei, que nunca me beneficiou pela falta de coragem de acioná-la. Mas ela não me faria falta alguma, assim como não o faria para nenhum de nós desta imensa comunidade humana, se todos tivessem sido educados sabendo respeitar o outro.
Moro a 27 anos numa rua tranquila de uma cidade mineira, de gente civilizada que não incomoda vizinho nenhum. Mas como toda regra tem exceção, a família que mora na casa do outro lado da rua, bem de frente a minha, tem me incomodado bastante. São 3 filhos “homens” que recebem os amigos a noite e a farra deles dura até a madrugada seguinte, hoje a festinha acabou as 6:15 da manhã, tive o trabalho de conferir. E quando a reunião acaba mais cedo na madrugada? Ficam conversando com os amigos, no meio da rua e precisa ver o tom de voz! A família é contraditória, sou encantada com os rapazes que são atenciosos, educados, cumprimentam-me sempre que nos encontramos e até sabem o meu nome.São afáveis. São moços estudados, um é médico, outro é advogado e o outro não sei o que ele estudou. Não os culpo pela falta de consideração que têm com os vizinhos, tenho pena deles! Pode? Isto porque arrumei uma maneira da confusão que fazem várias noites no mês não me afetar – toda noite, qdo fecho a janela do quarto, olho para a área externa da casa deles e, se estiver excessivamente iluminada com ares de festa, meu marido e eu vamos dormir em um dos quartos dos fundos da casa. Claro, que é um desconforto ter que deixar minha cama, meu colchão; meu marido é o mais prejudicado com esta mudança. Isto qdo um deles não nos pega de surpresa, sobressaltando-nos de madrugada com o “somzão” do carro ligado. É, os danadinhos chegam em casa de madrugada, bêbados e incomodando a vizinhança
Estou realmente indignada! Que falta de consideração com os outros! Eu me sinto como se fosse um figurante bobo no filme deles. As pessoas fazem parte do cenário, estão ali apenas para eles não habitarem uma cidade fantasma, vivem entre nós sem pensar que também temos nossos direitos. Mas sabe quem é a grande culpada? É a vovozinha deles. Isto mesmo a vovó, a matriarca da família, a mãezona que ajuda a filha única a criar os rebentos. A vovó mora nas redondezas e toda a manhã vem cozinhar para a família, porque só ela sabe fazer a comidinha pros netinhos. Tempos atrás notei que a risonha vovó estava com a cara amarrada pra mim; mais tarde uma vizinha me contou que ela estava ofendida porque tínhamos xingado o “netinho” dela. Rolei de rir! Que cara de pau! Lembrei-me que, pela primeira e única vez na vida, meu marido, que é um homem discreto, sério, calado (pode perguntar pra qualquer pessoa que nos conhece) abriu a janela de madrugada e falou: “Ei, cara, você me acordou com este som ligado!”
E o lindinho da vovó respondeu: “Desculpa, eu não vi” Meu marido: “Como não viu? Não dá pra ver que agora é hora de todo mundo estar dormindo?” Bem, foi só isto que amolou a vovó. Seria ótimo se ela tivesse ensinado sua filha que devemos ver o lado das outras pessoas também; certamente ela teria repassado isto para os filhos. A propósito, não tenho nada contra a filha, mãe dos rapazes, ela é toda sorrisos p/ todos e... só isto.
No mês passado eu estava no velório do avô dos barulhentos e a mãe de um colega deles contou que alguém, sentindo-se incomodado com uma festa, havia chamado a polícia. Achei interessante a indignação desta mãe, ela só via defeitos no reclamante, pra ela, a moçada estava coberta de razão. Nem mesmo a morte do avô tão querido deu uma pausa nas festas pois antes da missa de 7º dia, fomos acordados pelo barulho de uma “reuniãozinha” deles.